VÍDEO: cachoeira de água cristalina fica barrenta e indígenas atribuem ao garimpo ilegal em Uiramutã
25/07/2026
(Foto: Reprodução) Cachoeira de água cristalina fica barrenta e indígenas atribuem ao garimpo ilegal em RR
A água da cachoeira do Urucá ficou densa e barrenta, conforme mostram vídeos divulgados nesta sexta-feira (24) pela Defesa Civil do município do Uiramutã e pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR). Segundo as organizações e moradores da região, a poluição ocorre por conta do crescimento de garimpos ilegais, instalados na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Entenda 🔎: Conhecida por ser um dos principais atrativos naturais do Uiramutã, a Cachoeira do Urucá costuma ter águas cristalinas e de tom esverdeado.
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A queda d'água se forma a partir do igarapé Urucá e deságua no rio Cotingo. O acesso ao ponto turístico ocorre pela rodovia RR-171, no trajeto para a comunidade Flexal.
Ao g1, um morador da comunidade, que preferiu não se identificar, relatou a destruição na área. "É muito triste, de partir o coração. Maquinários do garimpo acima da cachoeira destroem a serra e jogam isso aí na cachoeira", lamentou.
O morador também contou que os invasores conseguem escapar das operações de controle ambiental por meio de informantes. "Já houve outras denúncias. Mas, quando a fiscalização vem, eles são avisados e enterram os motores usados no garimpo", afirmou.
Os garimpeiros utilizam métodos destrutivos na área, como uso de explosivos e bombas para quebrar rochas nas serras. Nos leitos dos rios, eles aplicam mercúrio para separar o ouro dos sedimentos, o que contamina a água e os peixes consumidos pelas comunidades da região.
O CIR informou que acompanha a situação e que o departamento jurídico da organização vai notificar a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Polícia Federal (PF) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre o crime ambiental.
Em nota, o governo de Roraima declarou que o garimpo ilegal e a consequente poluição ambiental em terras indígenas são de jurisdição federal. Dessa forma, a fiscalização e a investigação do caso cabem aos órgãos da União.
O g1 também pediu um posicionamento da Funai e da Polícia Federal sobre o assunto, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Cachoeira do Urucá com a água é conhecida por ter água crisalina, mas foi tomada pela água barrenta
Arquivo e reprodução
Histórico de invasão e danos ambientais
A contaminação do igarapé Urucá é um problema já conhecido e documentado na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Lideranças indígenas já denunciaram a presença de pelo menos 500 invasores no território.
A comunidade Urucá figura entre as mais atingidas pela exploração, ao lado de Napoleão, Tarame, Raposa I e Raposa II.
O g1 documentou que, em 2025, a Prefeitura de Uiramutã já havia alertado as autoridades federais. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo enviou ofícios à Funai e ao Ministério Público Federal (MPF) com relatos sobre o assoreamento do igarapé Urucá, a alteração do curso da água e a perda da vegetação marginal.
Além do impacto ambiental, o Conselho Indígena de Roraima já havia alertado para os danos sociais. As denúncias incluem ameaças a moradores, contaminação dos rios e o aliciamento de jovens indígenas, que são submetidos a condições de trabalho degradantes em acampamentos ilegais.
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