Sobrinho de Denarium acusado de chefiar esquema de garimpo citou parentesco durante abordagem policial

  • 13/05/2026
(Foto: Reprodução)
Irmã e sobrinho de ex-governador viram réus por financiar esquema de garimpo O empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do ex-governador de Roraima Antonio Denarium (Republicanos), citou o parentesco com o tio ao ser parado pela polícia. A abordagem ocorreu durante a investigação que deu origem ao processo no qual ele é apontado como chefe de uma organização responsável por financiar o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Além de Fabrício, uma irmã de Denarium, Vanda Garcia de Almeida, o marido dela, Wellington de Oliveira Castro e outros três investigados são réus na Justiça Federal pelos crimes de por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União. O grupo movimentou R$ 64 milhões entre janeiro de 2017 e outubro de 2021, segundo investigação da Polícia Federal enviada ao Ministério Público Federal (MPF), autor da denúncia. O g1 tenta localizar a defesa dos acusados. 'Sobrinho do governador' A investigação da Polícia Federal sobre o financiamento de garimpos ilegais começou em agosto de 2020, quando Fabrício foi parado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Boa Vista Durante a abordagem, ele mentiu sobre o itinerário da viagem e disse aos agentes que era "sobrinho do governador" — à época, Antonio Denarium comandava o estado. Fabrício estava em uma caminhonete acompanhado de outro homem. Ao consultarem os dados de Fabrício, os agentes identificaram que, em 2010, ele havia sido alvo de uma operação relacionada ao contrabando de diamantes. Inicialmente, segundo a PRF, ele afirmou que, naquele dia, havia saído de uma fazenda em Iracema — posteriormente, a investigação apontou que a propriedade pertencia a Denarium. No entanto, a PRF constatou que o veículo havia partido de Porto Velho, em Rondônia. Diante das inconsistências, surgiu a suspeita de que ele, na verdade, teria ido a Rondônia para negociar minérios extraídos ilegalmente. A partir do alerta da PRF, a PF abriu inquérito contra Fabrício e descobriu que ele operava um esquema de financiamento de garimpo, lavagem de ouro por meio de empresas de fachada e usurpação de bens da União. Em nota, Denarium disse que não tem "gestão nem responsabilidade sobre atos de parentes que vivem em lares diferentes do meu, com atitudes de responsabilidade de cada um deles e, se algum ilícito foi cometido por parte de alguns deles, devem ser responsabilizados nos termos da lei." 'The diamond king (o rei do diamante)' Para traçar o histórico de Fabrício com a mineração ilegal, a PF também fez buscas em anos anteriores ao dia em que ele foi parado pela PRF. Um dos indícios encontrados foi a prisão dele, junto com outro homem, durante a operação Roosevelt, deflagrada em 2010 em Rondônia. À época, ele estavam com 161 quilates de diamantes e R$ 13 mil reais. Para traçar o histórico de Fabrício com o garimpo ilegal, a PF também analisou fatos anteriores à abordagem feita pela PRF. Um dos indícios encontrados foi a prisão dele, junto com outro homem, durante a Operação Roosevelt, deflagrada em 2010, em Rondônia. À época, eles estavam com 161 quilates de diamantes e R$ 13 mil. Outro fator considerado pela investigação foi a análise das redes sociais de Fabrício. Nelas, a PF identificou mensagens com referências à atividade de garimpo. Entre os conteúdos encontrados, havia uma publicação em que Wellington, marido da tia de Fabrício, o parabenizava em inglês e o chamava de "rei do diamante": "feliz niver the diamond king". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Sobrinho do governador, Fabrício de Souza Almeida Reprodução/Facebook/Fabrício Almeida Liderança operacional do esquema Segundo a denúncia contra os seis investigados, à qual o g1 teve acesso, Fabrício exercia a liderança operacional do esquema de financiamento de garimpos, responsável por coordenar as ações do grupo. De acordo com o documento, ele atuava na: Articulação das atividades ilegais, sendo apontado como o principal executor das atividades ilícitas; Compra e distribuição de materiais usados no garimpo ilegal, como máquinas e combustível; Contratação de pessoas para atuar nas operações, incluindo pilotos de aeronaves; Controle das transações bancárias e do fluxo financeiro do grupo. Segundo a denúncia, o esquema funcionava de forma organizada. O grupo captava recursos por meio de empresas de fachada e pessoas usadas como “laranjas”. O dinheiro era usado para pagar pilotos, combustível e máquinas. Depois da extração ilegal e venda do minério, os lucros eram usados para reembolsar investidores e pagar integrantes do grupo, mantendo o esquema em funcionamento. Uma das empresas investigadas, formalmente registrada como prestadora de serviços de representação comercial, movimentou mais de R$ 11 milhões em pouco mais de três anos, "sem possuir empregados, veículos ou endereço comercial efetivo". Segundo a investigação, a empresa é de Fabrício. Empresário Fabrício de Souza Almeida e Vanda Garcia de Almeida, sobrinho e irmã do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium Reprodução Além de Fabrício e Vanda, também se tornaram réus: João Alisson de Sousa Alencar Lima, Paulo Pessoa Silva, Rafael Silva Souza e Wellington de Oliveira Castro. Somadas, as penas pelos crimes que eles respondem podem ultrapassar 20 anos de prisão. No processo, o MPF também pediu à Justiça que todos sejam condenados a pagar indenização mínima de R$ 500 mil por danos morais coletivos causados aos indígenas do território Yanomami. "Para esconder a origem do dinheiro, os denunciados realizavam transferências sucessivas entre as próprias contas, faziam saques fracionados em espécie e utilizavam empresas sem atividade real", informou o MPF. Vanda e Fabrício foram alvos da operação Bal da PF em fevereiro de 2023. À época, agentes buscavam provas sobre o crime de lavagem de dinheiro oriundo de ouro ilegal. LEIA TAMBÉM Irmã de governador de Roraima é alvo da PF em operação que mira lavagem de dinheiro de comércio de ouro ilegal Empresário preso com mais de 70 kg de drogas é condenado a 6 anos de prisão em regime semiaberto Apreensões na casa do acusado Durante as investigações, "foram apreendidos equipamentos típicos de garimpo, como bombas hidráulicas, motores e uma resumidora de cassiterita, na residência do líder da organização criminosa". Além disso, segundo o MPF, também foram encontrados uma balança de precisão e um caderno com anotações detalhadas sobre voos, pagamentos a pilotos, cargas transportadas e quantidades de ouro comercializadas. Também teve a apreensão de cinco mil quilos de minério semelhante a cassiterita na casa da mãe de um dos investigados. "Nenhum dos denunciados possuía autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) para extrair, transportar ou comercializar minérios." A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado da Procuradoria da República em Roraima (Gaeco/PRRR), em atuação conjunta com o 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento à mineração ilegal nos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia. Nota na íntegra de Denarium sobre o sobrinho e a irmã: "Este caso ocorreu com membros que possuem famílias distintas da minha. Minha família é composta de minha esposa e meus três filhos, apenas. Vivo com eles em plena harmonia e não tenho gestão nem responsabilidade sobre atos de parentes que vivem em lares diferentes do meu, com atitudes de responsabilidade de cada um deles e, se algum ilícito foi cometido por parte de alguns deles, devem ser responsabilizados nos termos da lei." Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/05/13/sobrinho-de-denarium-acusado-de-chefiar-esquema-de-garimpo-citou-parentesco-durante-abordagem-policial.ghtml


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