Pais reclamam de instabilidade no sistema de matrícula da prefeitura de Boa Vista e cobram solução
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Pais buscam vagas em escolas da prefeitura de Boa Vista
Pais de alunos que precisam de vagas em escolas da prefeitura foram à Secretaria Municipal de Educação nesta segunda-feira (2) para cobrar esclarecimentos sobre o processo de matrícula em Boa Vista. Eles relatam dificuldades para conseguir atendimento pelo call center e pelo aplicativo, além da oferta de escolas distantes de casa, o que levou as famílias a buscar atendimento presencial.
Por volta das 10h40, ao menos 70 pessoas faziam fila para atendimento na recepção da sede da Secretaria, no bairro São Francisco, zona Leste. As aulas na rede municipal começaram nesta segunda. Ao todo, mais de 54 mil estudam em 145 unidades de responsabilidade da prefeitura.
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Atualmente, as matrículas na rede municipal são feitas por meio de aplicativo e ligações. Mas, com a instabilidade dos sistemas, eles cobram uma solução viável.
"Tenho uma filhinha de 4 anos e estou tentando matricular na rede municipal. Não consegui [ser atendido] nos dias que eles prorrogam, ligava todo dia bem cedo e nada", disse Marcos Johnny Doman, de 41 anos, um dos pais que esteve na secretaria nesta manhã.
No local, o g1 apurou que a orientação dos servidores era para que os pais continuassem tentando realizar a matrícula pelo aplicativo ou por ligação telefônica. Além disso, nesta segunda-feira (2), foram abertas as vagas remanescentes e as transferências.
Em nota, a prefeitura informou que os pais "estão sendo acolhidos pela equipe e recebendo as orientações necessárias".
"É importante reforçar que não há necessidade dos pais irem até a sede da secretaria, já que a solicitação deve ser feita via aplicativo, site ou Central Tele Matrícula, que estão funcionando normalmente", cita trecho da nota (leia na íntegra abaixo).
Mãe busca vaga para filha, mas não consegue efetuar matrícula por meio do call center
Nalu Cardoso/g1 RR
Luizana Sánchez, de 39 anos, relatou que tentou fazer a matrícula da filha, que vai completar 4 anos, mas após conseguir cadastrar o CPF da criança, não conseguiu concluir. "O aplicativo não abre", disse.
Moradora do bairro Monte Cristo, Deise Ramos, de 35 anos, tenta transferir o filho de 10 anos de escola. Segundo ela, chegou a ir diretamente à unidade pretendida, onde foi informada de que havia vaga no sistema, mas também não conseguiu ser atendida.
"Tenho que conseguir essa vaga porque é uma logística muito grande [o filho estudar longe de casa]", disse.
Outra demanda apresentada pelos pais é a transferência de crianças de turno sem a autorização das famílias. É o que relata a autônoma Rosângela Paiva, de 31 anos.
"Do jeito que tá, minha filha vai acabar praticamente sem estudar, porque eu não tenho como levar ela no turno da tarde. E não é só comigo, não. Tem várias outras mães passando pela mesma situação lá na escola. A gente fica de mãos atadas".
Angela Maria Gorvino, de 44 anos, afirmou que foi à Secretaria em busca de uma vaga em creche para o filho, Victor, de 2 anos e 9 meses. Segundo ela, tentou atendimento pelo call center, mas sequer ficou na lista de espera.
Ela contou que o filho está em investigação para autismo e que a psicóloga que o acompanha indicou a necessidade de convívio com outras crianças, tanto para o desenvolvimento quanto para a conclusão do diagnóstico.
"Mandei mensagem no Instagram da Prefeitura e o próprio prefeito respondeu dizendo que era só eu vir até a Secretaria", disse, acrescentando que "sei que foi inaugurada uma nova escola perto do meu bairro, no São Bento, lá no Aracelis, e por isso eu vim aqui hoje tentar uma vaga para ele."
A neta da cuidadora Sônia Lopes, de 61 anos, foi transferida para uma escola longe de casa. Ela conta que está desde dezembro tentando resolver a situação.
"Ela era do núcleo de creche e, neste ano, vai cursar o primeiro período. Com essa mudança, ficou muito difícil para mim, pois a escola é longe. Além das dificuldades, tenho gastos, pois dependo de condução para levar e buscar a criança. O que eu espero é uma solução", disse.
Já Ruisis Naval, disse ao g1 que é a terceira vez que vai a Smec para transferir a filha de 4 anos para uma escola mais próxima. "Quando não tem transporte, eu tenho que pegar ônibus, andar até a avenida e depois descer um monte a pé pra chegar na creche. É sol quente, minha filha estuda à tarde, é muito pesado pra uma criança de 4 anos".
"Eles falam pra ligar pro call center, a gente liga e ninguém atende. Dizem pra tentar pelo aplicativo, mas o aplicativo não abre, não funciona. A gente entende que tá tudo sobrecarregado, mas se não atende, como é que resolve?"
O que diz a prefeitura:
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) informa que, conforme divulgado, com o início das aulas na rede municipal, o sistema reabre para que os pais possam solicitar novas matrículas, no caso de crianças em idade escolar, ou ainda transferências entre a rede municipal e a rede conveniada para as que estão na lista de espera de creche, conforme a disponibilidade de vagas.
É importante reforçar que não há necessidade dos pais irem até a sede da secretaria, já que a solicitação deve ser feita via aplicativo, site ou Central Tele Matrícula, que estão funcionando normalmente. Todos que procuraram a SMEC nesta segunda-feira, dia 2, estão sendo acolhidos pela equipe e recebendo as orientações necessárias.
A SMEC faz o possível para deixar o aluno mais perto de casa quando há vaga disponível na unidade desejada. Caso não tenha, a criança é encaminhada para a escola mais próxima. Importante ressaltar que nenhuma criança em idade de ensino fundamental I e II ficará sem vaga.
Pais buscam vagas para os filhos na secretaria municipal de Educação, em Boa Vista
Nalu Cardoso/g1 RR
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