Mulher com dores constantes após laqueadura cobra Justiça e governo de Roraima: 'Alterou minha vida'

  • 03/06/2026
(Foto: Reprodução)
Servidora pública de Roraima, Elizana da Silva precisou adaptar condições de trabalho por das dores constantes. Arquivo pessoal Uma servidora pública de 42 anos cobra da Justiça e do Governo de Roraima o acesso a uma cirurgia após passar a conviver com dores constantes desde uma laqueadura realizada na Maternidade Nossa Senhora de Nazareth, em Boa Vista. Elizana da Silva alega que houve negligência no atendimento. Moradora de Mucajaí, no Sul de Roraima, Elizana passou pela cirurgia em janeiro de 2024. Após a cirurgia, exames identificaram uma lesão no lado esquerdo do nervo genitofemoral, que fortalece a região superior da coxa. A lesão mexeu em tudo, em tudo. Alterou tudo, alterou minha rotina, alterou minha vida, alterou minha saúde. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Por causa do problema, ela entrou na Justiça para pedir que o Estado custeie uma cirurgia indicada para corrigir o problema, em uma unidade particular. O g1 procurou o governo do estado sobre o assunto, e aguarda o retorno. Em nota, o Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) informou que, embora não comente processos em andamento, o pedido de tutela de urgência foi negado após análise dos autos e da manifestação de um órgão técnico especializado em saúde. O processo segue em tramitação regular e já está concluso para sentença. Primeiros diagnósticos Segundo ela, as dores intensas começaram no dia seguinte ao procedimento, quando tentou se levantar para tomar banho, ainda na maternidade. A investigação sobre a causa das dores começou dois dias depois. Uma ultrassonografia levantou a hipótese de hérnia, mas ela foi descartada após uma tomografia realizada no Hospital Geral de Roraima (HGR). Após os exames, segundo a paciente, a médica responsável pelo procedimento informou que a dor poderia estar relacionada ao nervo pudendo, ligado às funções da região pélvica, que teria sido comprimido por um ponto cirúrgico. “Ela me disse que poderia ser o nervo pudendo pinçado em um ponto e que, com o tempo, meu corpo absorveria os pontos e a dor passaria”, afirmou. A servidora ficou internada por oito dias e recebeu alta em 4 de fevereiro. Segundo ela, as dores continuaram mesmo durante a recuperação em casa. Cerca de um mês após a cirurgia, Elizana voltou à maternidade com a mesma queixa. Segundo ela, não conseguiu ser atendida pelos médicos responsáveis pelo procedimento, recebeu medicação e foi liberada. Na unidade, uma enfermeira sugeriu que procurasse um neurocirurgião na rede particular. Durante consulta com uma médica especialista em dor, Elizana recebeu um novo diagnóstico. Segundo ela, exames apontaram uma fibrose — crescimento excessivo de tecido durante a cicatrização — comprimindo o nervo da região. Exames identificaram uma fibrose comprimindo o nervo genitofemoral da servdiora; ela busca procedimento cirurgico em Roraima. Arquivo pessoal Desde então, ela passou por tratamentos como bloqueios e radiofrequência para controle da dor. Também começou a ser acompanhada pelo Centro de Diagnóstico Especializado (CDE) do Hospital Geral de Roraima. Segundo a paciente, os procedimentos ajudam temporariamente, mas não resolvem o problema. Ela afirma que os efeitos duram, no máximo, 15 dias e que as dores retornam depois desse período. "As terapias que estão ofertadas não surtem efeito [definitivo]. O efeito dura de 10 a 15 dias e eu retorno a sentir dores intensas de novo. O efeito [dessas terapias] é controlar a dor, não é fazer ela sumir", disse Elizana. Impactos na rotina A servidora afirma que a rotina mudou completamente após a cirurgia. Ela conta que passou a trabalhar em home office porque permanecer sentada por longos períodos intensifica as dores, deixou de praticar atividades físicas e passou a enfrentar limitações para realizar tarefas do dia a dia, como dirigir. Ela é mãe de três filhos, incluindo duas crianças de 7 e 4 anos, que dependem diretamente dos seus cuidados. Ao g1, a servidora também afirmou que precisou de acompanhamento psiquiátrico por conta dos efeitos colaterais dos medicamentos utilizados para controlar as dores. "Eu estou completamente sedentária porque eu não consigo [fazer nada]. Eu já tentei várias vezes fazer pelo menos uma caminhada, não é nem atividade física intensa, apenas fazer uma caminhada, mas não consigo". Ação Judicial Após as tentativas de tratamento sem resultado definitivo, um cirurgião indicou uma cirurgia ginecológica para corrigir o problema. O procedimento foi orçado em cerca de R$ 110 mil em uma unidade particular de saúde no estado. Sem condições de pagar pela cirurgia, a servidora entrou na Justiça, com apoio da Defensoria Pública do Estado (DPE) em Mucajaí, para pedir que o governo custeie o procedimento. A ação foi ajuizada em fevereiro de 2026. O pedido, no entanto, foi negado pela Justiça de Roraima. Na decisão, a Justiça entendeu que a rede estadual possui profissionais e estrutura para atender o caso. Ela se baseou em uma nota do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus), que classificou a cirurgia como eletiva. Segundo a servidora, porém, a rede pública estadual não possui profissionais especializados para realizar o procedimento indicado. "Ao mesmo tempo que o estado tem todo o aparato, tem todo o material, tem todas as condições, não existe um médico lá que se disponha a fazer. Os neurocirurgiões não fazem esse tipo de procedimento. Eles trabalham com cabeça, coluna e nervos ligados a essas regiões, não com nervos periféricos". "Eu já estou há dois anos e meio praticamente sofrendo. Se depender da resposta do neurocirurgião do HGR dizendo que não faz a cirurgia para que eu possa recorrer à Justiça, vou sofrer mais dois anos até sair uma resposta", ressaltou. Agora no g1 Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/06/03/mulher-com-dores-constantes-apos-laqueadura-cobra-justica-e-governo-de-roraima-alterou-minha-vida.ghtml


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