MP Eleitoral investiga 'ativismo' via WhatsApp em horário de expediente para apoiar Sampaio na eleição suplementar de Roraima
23/07/2026
(Foto: Reprodução) Soldado Sampaio (Republicanos) concorreu ao cargo de governador de Roraima na eleição suplementar
Ascom Sampaio/Divulgação
O Ministério Público Eleitoral (MPE) abriu, nesta quarta-feira (22), uma investigação para apurar suspeitas de que servidores públicos do governo de Roraima utilizaram grupos de WhatsApp para promover conteúdo eleitoral durante o horário de expediente para beneficiar a candidatura do governador interino Soldado Sampaio (Republicanos) nas eleições suplementares de Roraima este ano.
Em nota, o governo informou que "repudia toda e qualquer prática ilícita, ressaltando que a apuração dos fatos e a eventual responsabilização dos envolvidos devem ocorrer pelas instâncias competentes, com estrita observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa (leia nota na íntegra no fim da reportagem)".
Procurado, o governo não enviou resposta até a última atualização da reportagem.
A investigação apura se a estrutura do governo e o trabalho de servidores públicos foram utilizados para favorecer Sampaio, prática que pode configurar abuso de poder de autoridade e condutas vedadas a servidores públicos no período eleitoral.
O objetivo do MPE é apurar o "ativismo digital em múltiplas Secretarias do Governo do Estado de Roraima via aplicativo WhatsApp" e a divulgação de "publicidade em horário de expediente".
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O trabalho é conduzido pelo procurador regional eleitoral Miguel de Almeida Lima, conforme portaria publicada no Diário Oficial do Ministério Público Federal (MPF).
O MPE vai "apurar o suposto abuso de poder de autoridade e conduta vedada a agentes públicos em benefício do candidato FRANCISCO DOS SANTOS SAMPAIO, para o cargo de Governador do Estado de Roraima, nas Eleições Suplementares de 2026".
Soldado assumiu o comando do estado no dia 30 de abril, após o então governador ser cassado. Ele concorreu ao cargo de governador na eleição suplementar realizada no dia 21 de junho e recebeu 93.897 votos, menos que a quantidade de eleitores faltosos. Arthur Henrique (PL), o principal adversário dele, foi o mais bem votado, mas a eleição segue indefinida.
A portaria não detalha quais secretarias são alvos da investigação. Em maio, um servidor da Secretaria de Segurança Pública de Roraima (Sesp) denunciou que funcionários da pasta foram obrigados a usar camisa amarela e a participar da convenção partidária de Sampaio. A orientação, segundo ele, foi dada pela secretária que comanda a pasta (veja no vídeo abaixo).
🏛️ Atualmente, a estrutura do governo do estado tem 45 órgãos ligados ao alto escalão, subordinados ao governador. O número inclui secretarias regulares e extraordinárias, setores da governadoria, autarquias, fundações e empresas de economia mista.
Instaurada por meio de um Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE), a apuração deve aprofundar as suspeitas de irregularidade eleitoral antes da eventual abertura de uma ação judicial.
Como base, o procurador citou que a a Lei das Eleições proíbe agentes públicos de utilizar bens e serviços da administração pública em benefício de candidatos e também veda o uso de servidores públicos para atividades de campanha durante o horário de expediente, exceto quando estiverem licenciados.
A suspeita chegou à Procuradoria Regional Eleitoral por meio de uma Notícia de Fato, que é quando o MP toma conhecimento de um possível ação irregular e faz uma análise inicial.
Nota do governo sobre a investigação
"A Procuradoria-Geral do Estado reafirma o compromisso permanente com a defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e da observância dos princípios que regem a Administração Pública.
Acrescenta que, repudia toda e qualquer prática ilícita, ressaltando que a apuração dos fatos e a eventual responsabilização dos envolvidos devem ocorrer pelas instâncias competentes, com estrita observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
E destaca ainda que, a análise de casos concretos deve ser realizada exclusivamente no âmbito dos procedimentos legalmente previstos e das competências atribuídas aos órgãos responsáveis, em respeito às garantias constitucionais e à independência das instituições."
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