Migrantes venezuelanos na fronteira com Brasil relatam incerteza e esperança após captura de Maduro pelos EUA
03/01/2026
(Foto: Reprodução) Trump diz que não há mortos e nem perdas do lado dos EUA em ataque na Venezuela
Migrantes venezuelanos que estão em Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, relataram "incerteza e esperança" após a ofensiva dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolas Maduro, na madrugada deste sábado (3).
Em meio a isso, venezuelanos que já vivem ou atravessam a fronteira relatam medo pelos familiares que ficaram no país e, ao mesmo tempo, esperança de que o futuro reserve mudanças.
🔎 Roraima é a principal porta de entrada de migrantes venezuelanos no Brasil desde 2015, quando o estado passou a receber milhares de pessoas que fogem da crise política, econômica e social no país governado por Maduro.
Entenda: Os Estados Unidos lançaram um ataque militar de grande escala contra a Venezuela com explosões em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A esposa de Maduro, Cilia Flores, também foi capturada por Trump.
Da esquerda pra direita: José Gregório Rodríguez; Fred José; Elisau Quinan; Wilmer Gallardo
Nalu Cardoso/g1 RR
O venezuelano José Gregório Rodríguez, de 39 anos, chegou ao Brasil há cinco dias. Ele conta que deixou a Venezuela depois de mais de uma década trabalhando no setor público, mas sem conseguir sustentar a família.
“Na Venezuela, se eu comprava um sapato, não conseguia comprar comida. O salário não dava nem para comprar arroz ou um pedaço de queijo. A situação já era crítica demais. Da maneira que estava não poderia continuar”, relatou.
José vivia na cidade de Barcelona, no estado de Anzoátegui, e deixou a esposa e familiares no país. Ele disse que conseguiu falar com a família após as notícias mais recentes, mas admite que a "falta de informação aumenta a ansiedade".
“A gente escuta as coisas pelas redes, mas não sabe o que é verdade. Não tenho acesso a muita informação.
"O que a gente quer é que a Venezuela se acomode, porque lá se passa muita fome e muita necessidade”, disse.
José Gregório Rodríguez, de 39 anos, chegou ao Brasil há cinco dias
Nalu Cardoso/g1 RR
Família em Caracas
Na região de Santa Elena de Uairén, cidade venezuelana vizinha a Pacaraima, o enfermeiro Fred José, de 30 anos, disse que o impacto das notícias foi sentido principalmente pela preocupação com familiares que vivem em Caracas, cidade que foi atacada por Trump.
“Por aqui não se sentiu nada, mas temos familiares em Caracas. Conseguimos falar com eles e, por enquanto, está tudo tranquilo”, contou.
Fred afirmou que soube das informações durante a madrugada, após uma ligação de familiares, e diz torcer para que a situação resulte em mudanças positivas para o país.
“Estamos esperando que a Venezuela melhore, que volte a ser como antes”, disse.
'Não sabemos o que pode acontecer mais adiante'
Com cerca de duas semanas no Brasil, Elisaúl Quinan, de 30 anos, afirma que a decisão de migrar foi motivada pelas dificuldades impostas pela situação política e econômica do país. Natural de Maturín, no estado de Monagas, ele diz que acompanha "com cautela" as notícias sobre o que pode acontecer a partir de agora.
“Não sabemos o que pode acontecer mais adiante. Depende do governo que venha a assumir. Se as coisas podem melhorar ou não, ainda não temos certeza”, afirmou.
Apesar da insegurança, Elisaúl diz manter a esperança de mudanças positivas.
Elisau Quinan, de 30 anos, acompanha com cautela as notícias sobre o país natal
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“O que a gente espera são oportunidades, que venham coisas melhores. A Venezuela é um país rico, sempre foi. Esperamos que, pouco a pouco, as coisas se melhorem”, completou.
'Foi uma surpresa'
Wilmer Gallardo, de 30 anos, é trabalhador industrial que mora no Rio Grande do Sul. Ele ficou retido temporariamente na fronteira ao tentar retornar ao Brasil após passar o fim de ano com a família no país vizinho. Ele conta que foi surpreendido pelas notícias enquanto estava em Santa Elena.
“Foi uma surpresa. Ninguém esperava isso. Ficamos com muito medo pelo que pode acontecer mais para frente”, relatou.
Wilmer Gallardo, de 30 anos, está na fronteira do Brasil com a Venezuela, em Pacaraima
Nalu Cardoso/g1 RR
Com parentes que permanecem na Venezuela, Wilmer diz que o sentimento predominante entre os migrantes é de cansaço após anos de crise.
“A gente está cansado. Tem que mudar para algo melhor”, afirmou.
Explosões em Caracas
Militares do Exército na fronteira do Brasil com a Venezuela no dia 3 de janeiro de 2026
Nalu Cardoso/g1 RR
Na madrugada, uma série de explosões atingiu Caracas. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores relataram tremores, barulho de aeronaves voando em baixa altitude e correria nas ruas. Parte da capital ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da cidade.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas.
Após o início dos ataques, o governo venezuelano divulgou um comunicado afirmando que o país estava sob "agressão militar" e decretou estado de emergência. Ainda no texto, a Venezuela disse que convocou todas as forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse não saber onde Maduro está e exigiu uma prova de vida do governo americano.
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