Migrante que vive no Brasil há um ano sonha em trazer família da Venezuela: 'Em ruínas'
07/01/2026
(Foto: Reprodução) Migrantes venezuelanos fogem da crise atravessando a fronteira com o Brasil.
Há um ano vivendo no Brasil, o venezuelano William Castillo, de 42 anos, tem um sonho: reunir a família que ficou na Venezuela. Natural de San Félix, ele mora em Pacaraima, na fronteira em Roraima, e descreve o país vizinho como “em ruínas”, marcado por instabilidade política, falta de alimentos, cortes de energia e um sistema de saúde em colapso.
Na fronteira, ele trabalha como vendedor, além de pegar serviços braçais como diarista. O dinheiro que recebe, envia para a esposa, mãe e pai, que ainda vivem na cidade natal. Nas festas de fim de ano em 2025, ele voltou para a Venezuela para passar com a família. Fez o trajeto de carro.
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➤ Entenda: Os Estados Unidos lançaram no sábado (3) um ataque contra a Venezuela com explosões em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O presidente venezuelano Nicolás Maduro e a esposa dele foram capturados e levados aos EUA.
No Norte de Roraima, Pacaraima é a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil e, historicamente, tem recebido operações de controle e apoio humanitário em períodos de agravamento da crise no país vizinho.
Migrante venezuelano William Castillo, de 42 anos, vive em Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela.
Caíque Rodrigues/g1 RR
É uma catástrofe. Existe o perigo de que aconteça uma guerra, porque os poderes estão divididos. Com a saída do presidente Maduro, que foi levado, a gente tem visto muitas divisões. As pessoas estão desesperadas.
Segundo William, a crise se agravou nos últimos meses com o fechamento de estabelecimentos comerciais e a dificuldade de acesso a itens básicos.
“Há muitos comércios fechados. A comida está escasseando, falta luz, falta água. As pessoas querem sair rápido para a fronteira mais próxima, que é o Brasil”, conta.
Fronteira do Brasil com a Venezuela na manhã do dia 6 de janeiro de 2026.
Caíque Rodrigues/g1 RR
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Família ainda na Venezuela
O desejo de trazer os familiares é motivado, principalmente, pelas dificuldades enfrentadas por quem permanece no país.
“Meus irmãos e irmãs me falaram que querem vir. Estou tentando conseguir uma morada para que eles possam chegar, porque lá a situação está muito difícil”, afirma o vendedor.
Em Pacaraima, William mora de favor, pois relata não ter condições de pagar aluguel ainda. Esse é um dos motivos pelo qual ainda não trouxe a família para o Brasil. Ele conta que a população enfrenta restrições até para sair de casa.
Migrante venezuelano William Castillo.
Caíque Rodrigues/g1 RR
“Estão colocando horários para ir ao mercado, ao supermercado, aos abastos. Estão cortando muitas coisas. A maior dificuldade é a alimentação”, diz.
“Tudo é em dólares. A moeda venezuelana está desvalorizada, está no chão. Se não temos dólares, não conseguimos comprar medicina nem nada”, relata.
Recomeço no Brasil e esperança
William chegou ao Brasil de ônibus e hoje mora em uma casa cedida gratuitamente em Pacaraima. Mesmo diante das dificuldades e com saudades da família, ele afirma que conseguiu recomeçar a vida no novo país.
“Aqui no Brasil a economia é muito melhor. Trabalhando, vendendo coisas, consegui me sustentar e isso me ajudou bastante”, diz.
Apesar de descrever a Venezuela como um país “em ruína”, William diz que mantém esperança no futuro. “Eu vejo que a Venezuela vai se restabelecer. Vêm bênçãos para o país, mas no tempo de Deus”, afirma.
Enquanto isso, o plano segue firme: trazer a família para perto. “Se Deus permitir, eu trago todos para o Brasil: minha esposa, meu pai, meus irmãos. Em algum momento, todos vão vir”, conclui.
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