Governador de RR é apontado pela PF como chefe operacional de esquema de fraudes em licitações

  • 13/04/2026
(Foto: Reprodução)
Edilson Damião, novo governador de Roraima. Reprodução/Nonato Sousa/Ale-RR O governador de Roraima, Edilson Damião (União Brasil), é apontado pela Polícia Federal (PF) como chefe do "braço operacional" de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e desviar recursos públicos. Os crimes teriam ocorrido quando ele ainda era vice-governador e secretário de infraestrutura do estado. O g1 teve acesso ao inquérito nesta segunda-feira (13). Edilson assumiu o governo em 27 de março de 2026, após a renúncia de Antonio Denarium (Republicanos), que deixou o cargo para disputar o Senado. Os dois serão julgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (14), por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp As investigações começaram em janeiro de 2026, quando a PF prendeu o empresário Clóvis Braz Pedra, a assistente administrativa Ana Clara Araújo Cruz de Oliveira e o capitão da Polícia Militar Marcos Holanda Farias, em Boa Vista, suspeitos de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Procurado pelo g1, o Governo do Estado informou que "não possui conhecimento sobre a suposta investigação" e ainda não houve nenhum comunicado ao governo sobre o processo. Após as prisões, a PF apreendeu celulares dos investigados. Na análise do material, os investigadores identificaram um esquema de fraudes em licitações na Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf), com participação de integrantes do alto escalão do governo estadual. Na época, Edilson Damião era secretário titular da pasta e vice-governador de Roraima. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o documento da investigação, ele teria usado o cargo de secretário para viabilizar o esquema de diferentes formas: Direcionamento de licitações: favorecimento de empresas específicas na Seinf, como a C B Pedra Serviços e Construções Ltda, do empresário Clóvis Braz; Licitações presenciais: determinação de que grandes contratos fossem feitos de forma presencial, contrariando o pregão eletrônico, o que teria restringido a concorrência. Segundo a investigação, a medida buscava favorecer grupos específicos; Antecipação de resultados: envio ao empresário de uma planilha de emendas parlamentares com nomes de empresários que venceriam licitações, escritos à mão, antes da publicação dos editais. O relatório também aponta uma relação próxima entre Edilson e o empresário Clóvis, com encontros e negociações diretas. Em um áudio citado pela PF no documento, Clóvis se refere à empresa como “nossa” ao cobrar pagamentos, o que, segundo os investigadores, pode indicar possível benefício mútuo. De acordo com a investigação, enquanto Edilson atuava no braço operacional do esquema, o ex-chefe da Casa Civil Disney Barreto Mesquita seria o responsável pelo "braço financeiro", atuando como elo entre os envolvidos e pela lavagem do dinheiro por meio de uma rede de empresas. Essa rede incluiria postos de combustíveis, hotéis e outras empresas usadas para ocultar recursos desviados da Seinf. Procurada, a defesa de Clóvis Braz disse que se o caso não "foi submetido à apreciação judicial, tratando-se, portanto, de meras ilações desprovidas de suporte probatório concreto" e se manifestará exclusivamente nos autos. Em nota, Disney Mesquita disse que "nunca teve e não possui qualquer contrato com o Governo, rechaçando integralmente qualquer associação a irregularidades ou práticas ilícitas". Relação 'pessoal e intimista' A investigação aponta que a relação entre Edilson Damião e o empresário Clóvis Braz era pessoal e intimista, com contato frequente e informal. Segundo o inquérito, eles mantinham conversas por mensagens de forma “críptica e difusa”, geralmente seguidas por ligações telefônicas cujos registros eram apagados. O empresário Clóvis é dono da C B Pedra Serviços e Construções Ltda, conhecida como Rodoplacas, que mantém contratos com a Seinf. Segundo a investigação, a secretaria é a principal fonte de faturamento da empresa, com pagamentos que somam R$ 162,96 milhões entre 2021 e 2025. Em um dos casos citados, Edilson teria prometido uma licitação a Clóvis, que acabou sendo vencida por outro empreendimento. Segundo a PF, a empresa vencedora era controlada ocultamente pelo empresário. Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal solicitou o envio do caso ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), que passou a supervisionar a investigação devido ao foro por prerrogativa de função do então vice-governador. 🔎 O foro por prerrogativa de função, conhecido como “foro privilegiado”, é um mecanismo definido na Constituição pelo qual algumas autoridades, por conta do cargo público que ocupam, têm o direito de serem julgadas por crimes comuns em tribunais específicos. Como Edilson era vice-governador e secretário de Estado à época, o caso deve ser analisado pelo Tribunal de Justiça de Roraima, responsável por julgar vice-governador e secretários. Os autos foram encaminhados ao Ministério Público de Roraima (MPRR), que ao fim da apuração poderá apresentar ou não denúncia contra os investigados. Caso a denúncia seja oferecida, os desembargadores do TJRR decidirão se a aceitam ou rejeitam. Procurada, a PF não quis se manifestar sobre a investigação. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/04/13/governador-de-rr-e-apontado-pela-pf-como-chefe-operacional-de-esquema-de-fraudes-em-licitacoes.ghtml


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