Entenda esquema de servidores suspeitos de cobrar propina na fronteira de Roraima com Guiana

  • 20/10/2026
(Foto: Reprodução)
Ponto de fiscalização do Bonfim, na fronteira de Roraima com a Guiana Nalu Cardoso/Arquivo Dois servidores da Receita Federal e outras três pessoas são suspeitas de montar um esquema de propina na fronteira do Brasil com a Guiana, em Roraima. As investigações indicam que o grupo exigia dinheiro de comerciantes para liberar a entrada de mercadorias estrangeiras sem o pagamento de impostos pelo posto de fiscalização de Bonfim. As cobranças chegavam a R$ 10 mil por veículo e os pagamentos eram feitos via Pix para contas de terceiros. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Entenda🔎: O esquema foi alvo da Operação Zaqueu, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (20), em Roraima. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão contra os suspeitos. Além das buscas, a Justiça Federal determinou o afastamento dos funcionários públicos dos cargos por 120 dias e uso de tornozeleira eletrônica. Quem são os investigados Cinco pessoas são investigadas pela Polícia Federal por suspeita de participação no esquema, são elas: Oberdan Santana de Melo (servidor da Receita): apontado pela PF como líder do grupo. Ele abordava os viajantes, definia o valor da propina e monitorava a passagem dos carros. Inês Buckley da Silva (servidora da Receita): suspeita de cobrar os comerciantes de forma direta. Ela também emprestava contas bancárias e chaves Pix para receber o dinheiro. Juan Santiago Medina Paino (intermediário): funcionava como operador financeiro de Oberdan. Ele fazia a ponte e os pagamentos entre os agentes públicos e os comerciantes. Wendell Rodrigues Santana (filho de Oberdan): suspeito de atuar como operador financeiro ao emprestar chaves Pix para esconder o destino do dinheiro. Ele também trabalhava como "batedor", indo à frente dos veículos para escoltar as cargas irregulares. Tatiane Almeida Batista (companheira de Oberdan): apontada como responsável por dar o apoio logístico no transporte dos produtos comprados no país vizinho. O g1 tenta contato com a defesa dos investigados Em nota, a Receita Federal informou que acompanha as investigações para apurar as supostas irregularidades cometidas pelos agentes públicos e por particulares na região de fronteira. Ressaltou que não compactua com desvios de conduta e que o caso será apurado internamente com rigor. A Receita garantiu que, caso as fraudes e os crimes sejam comprovados ao final do processo, os responsáveis sofrerão todas as punições administrativas e penais previstas em lei. Servidores públicos são alvo da PF por suspeita de cobrar propina na fronteira Como funcionava o esquema As investigações da PF apontam que os servidores federais usavam os cargos no posto de Bonfim, ao Norte do estado, para monitorar motoristas que faziam rotas frequentes até Lethem, cidade fronteiriça na Guiana. Para pressionar as vítimas, os agentes tiravam fotos e gravavam vídeos de dentro do posto fiscal. Eles enviavam as imagens para mostrar aos viajantes que monitoravam os carros na fila. Em seguida, os fiscais exigiam o suborno. Após o pagamento, os suspeitos avisavam aos comerciantes sobre o momento exato em que a fiscalização pausava ou encerrava o expediente no posto. Assim, os veículos cruzavam a fronteira sem passar por nenhuma vistoria. Os investigados podem responder por crimes como corrupção, facilitação ao contrabando ou descaminho, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Mensagens em tempo real guiavam a travessia Registros obtidos pela investigação mostram como funcionava a comunicação para burlar a fiscalização na fronteira. No dia 15 de julho de 2026, às 17h15, um motorista avisou Oberdan Santana de Melo que estava com o veículo carregado em Lethem, na Guiana, e pronto para atravessar. Em seguida, o servidor respondeu com uma imagem de visualização única com a instrução: "aguarda aí, tá sujo". A expressão indicava que equipes de fiscalização ainda estavam ativas no posto. Fiscal da Receita Federal avisa comerciante sobre fiscalização em posto na fronteira de Roraima com a Guiana. Reprodução Às 18h, o Oberdan enviou nova mensagem temporária: "Daqui a pouco, espera aí". Registros de vigilância da polícia confirmam que os agentes de plantão encerraram a fiscalização no local às 17h56. Às 18h05, o servidor enviou a palavra "Vem". Poucos minutos depois, dois veículos atravessaram a ponte de Bonfim sem passar por qualquer vistoria, segundo as investigações. Preços cobrados via Pix O valor da propina variava de acordo com o tamanho do veículo. Carros de passeio pagavam cerca de R$ 200 por travessia. Já para os ônibus de excursão, que vinham de Manaus (AM), os valores começavam em R$ 1 mil e podiam chegar a R$ 10 mil. A PF apurou que servidores ameaçavam apreender todas as compras caso a transferência não fosse feita. Para não deixar rastros, o dinheiro não caía direto na conta dos servidores no momento das abordagens. O grupo utilizava chaves Pix de familiares e intermediários. A análise financeira da PF identificou pelo menos 47 transferências via Pix para a conta de Inês. Ao todo, ela recebeu quase R$ 25 mil em repasses ligados às travessias irregulares. O grupo também utilizava aplicativos de mensagens com visualização única. As conversas temporárias serviam para apagar os históricos e dificultar o rastreamento das negociações. Operação Zaqueu A Polícia Federal (PF) cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, na manhã desta terça-feira (20), para desarticular o esquema. A operação, contou com apoio da própria Receita Federal. As ordens judiciais e as medidas cautelares foram expedidas pela Justiça Federal para apreender documentos e mídias que comprovem a fraude. Agora no g1 Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/10/20/entenda-esquema-de-servidores-suspeitos-de-cobrar-propina-na-fronteira-de-roraima-com-guiana.ghtml


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