Ailton Krenak defende mais visibilidade da riqueza cultural dos povos indígenas de Roraima para 'mostrar a diversidade étnica'

  • 28/10/2026
(Foto: Reprodução)
Ailton Krenak participa de evento em RR sobre direitos dos povos indígenas O primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL), Ailton Krenak defendeu que a riqueza cultural e a diversidade étnica dos povos indígenas de Roraima tenham mais visibilidade no Brasil e no exterior. Em entrevista ao g1, nesta quarta-feira (28), o escritor afirmou que o estado precisa destacar as conquistas dos povos originários, para além das notícias sobre crises e conflitos territoriais. Líder indígena, filósofo, escritor e ambientalista, Ailton Krenak se tornou uma referência na luta pelos direitos dos povos originários durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988, responsável pela elaboração da Constituição Federal após os 21 anos da ditadura militar (1964–1985). Na época, teve atuação de destaque na defesa dos direitos indígenas, que foram reconhecidos no texto constitucional. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp "A gente pode melhorar essa pauta, transformar ela numa pauta positiva, mostrar a cultura, a diversidade étnica e o avanço cultural. A gente tem um número muito grande de pessoas indígenas se formando, se graduando pela universidade, fazendo mestrado, doutorado. Isso são coisas muito boas, positivas, que a gente deveria divulgar mais", defendeu. Primeiro indígena imortal na Academia Brasileira de Letra, Ailton Krenak. Nalu Cardoso/g1 Roraima Krenak está em Roraima, estado mais ao Norte do país, para participar da Semana Jurídica da Universidade Federal de Roraima (UFRR), coordenada pelo professor Edival Braga. Durante o evento, ele discute os direitos dos povos indígenas e a consulta prévia às comunidades sobre medidas que possam afetar seus territórios (saiba mais abaixo). Ele também refletiu sobre a educação das crianças indígenas, a vida em comunidade e a relação dos seres humanos com a natureza. Destacou a importância de compartilhar, valorizar o coletivo e reconhecer que todos fazem parte do ambiente em que se vive. A reflexão também se relaciona à responsabilidade de respeitar a natureza e preservar o legado deixado pelos ancestrais para as próximas gerações. "Tudo que nós temos no presente é um legado dos nossos ancestrais, de todos nós, não só dos povos indígenas. Tudo que nós temos agora vem dos nossos ancestrais. A gente deveria honrar esse propósito e cuidar do que ele deixaram. Pôr o coração no ritmo da terra", frisou Krenak visitou Roraima antes da Constituinte A primeira visita de Ailton Krenak a Roraima ocorreu na década de 80 (ele não recorda ao certo, mas foi entre os anos 1986 ou 1987), antes da participação na Assembleia Nacional Constituinte. Desde então, o escritor acompanha as transformações do estado. "É como se esse lugar aqui fosse uma espécie de ponto de ebulição de tudo o que acontece no mundo também, seja nas tecnologias, seja na expansão das atividades econômicas", disse. O líder indígena também chamou atenção para os impactos da mineração e da expansão agrícola sobre as comunidades indígenas. Atualmente, para se ter ideia, as populações que vivem na Terra Yanomami, a maior do país, e a Raposa Serra do Sol, a segunda maior terra indígena de Roraima, enfrentam pressões de garimpos ilegais e degradação ambiental. Krenak avalia que o avanço dessas atividades torna ainda mais importante garantir que os povos originários sejam consultados antes de decisões que afetem os territórios. "É um território novo, com uma ocupação pujante e que, obviamente, resulta em muitos conflitos. Eu acompanho isso na perspectiva jurídica, que é o tema que me traz aqui, a convite do professor Edival Braga. A gente vai estar falando sobre a necessidade dessa consulta prévia: qualquer ação que incida sobre novas áreas de ocupação precisa ser antecedida de uma consulta às populações locais. No caso dos povos indígenas, a cada comunidade local é assegurado o direito a uma consulta". "Essa consulta é inalienável. Ninguém pode substituir essa voz local por uma voz extralocal", disse. A ideia do evento na UFRR, conforme o organizador, é promover um diálogo entre diferentes visões de mundo e discutir como o Estado brasileiro deve respeitar os povos indígenas e seus direitos. "Temos uma única finalidade: de tentar encontrar pontos de consenso ou sugerir pontos de consenso que o Estado brasileiro supere essa visão de que os indígenas são obstáculos ao desenvolvimento. Na verdade, como o filósofo [Krenak] muito bem falou, nenhum de nós queremos destruição do planeta. Então, vamos nos dar a mão e buscar os pontos de equilíbrio de consenso entre o desenvolvimento e o respeito aos povos indígenas", disse Braga. Semana Jurídica de Portas Abertas A programação do evento tem o lançamento de dois livros do professor Edval Braga, que abordam o direito à consulta prévia dos povos indígenas e os impactos da construção do Linhão Manaus–Boa Vista sobre a Terra Indígena Waimiri-Atroari. O encontro vai discutir os desafios da Amazônia e a busca por alternativas que conciliem desenvolvimento econômico e respeito aos direitos dos povos indígenas. Também participam o líder indígena Davi Kopenawa, o conselheiro do Conselho Nacional de Justiça Marcelo Terto e Hélder Barros, presidente da Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. O evento é gratuito e ocorre no Centro Amazônico de Fronteiras, a partir das 18h, na UFRR. Serviço: O quê: Encerramento da Semana Jurídica de Portas Abertas do curso de Direito da Universidade Federal de Roraima (UFRR), com palestras sobre os desafios da Amazônia, os direitos dos povos indígenas e o desenvolvimento regional. O evento também tem o lançamento de dois livros do professor Edval Braga; Quando: Nesta quinta-feira (29), a partir das 18h, no CAF da UFRR, em Boa Vista; Quem participa: Ailton Krenak, Davi Kopenawa, Marcello Terto, Hélder Barros e o professor Edval Braga; Quanto: Entrada gratuita. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/10/28/ailton-krenak-defende-mais-visibilidade-da-riqueza-cultural-dos-povos-indigenas-de-roraima-para-mostrar-a-diversidade-etnica.ghtml


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